domingo, 15 de abril de 2018

Para pintar ou curar é preciso usar batata brava


Cissampelos fasciculata, Benth, erva mãe boa, batatinha, caapeba, batata brava, batata da uva do mato, abutua de batata, Butua, Abutua.
Cissampelos
É uma trepadeira de ramos flexuosos e tortuosos profundamente sulcado, pilosos, de cor esbranquiçada quando novos e depois um tanto lisos e de cor frutiginosa; com as folhas curtas, arredondadas ou largamente cordiforme, no ápice rotundas ou ligeiramente chanfradas, obtusas: na base truncadas ou na sinuosidade abertas e profundamente cordiformes, no ápice rotundas ou ligeiramente chanfradas obtusas, na base truncadas ou n a sinuosidade abetas e profundamente cordiformes.
Habita os estados da região sudeste e floresce em fevereiro. Os frutos maduros são muito apreciados como gulodice e o seu suco é usado como refrigerante.
As folhas frescas servem para colorir o de preto o tecido de algodão; o suco expresso das folhas é usado as colheres de chá contra as diarreias e as de sopa na leucorréias e gonorreia.
A cataplasma das folhas contusas é considerada como antigalactogenica, quando aplicada sobre os seis da mulher.
A raiz tem vários tamanhos as vezes 20cm de comprimento outras vezes apenas 12cm protegida por cutícula fibrosa de cor escura avermelhada; cortada em sentido transversal, nota-se na sua superfície um grande numero de raios e uma medula amarelada que pela exposição ao ar torna-se parda.
Esta raiz é considerada tônica, desobstruente, febrífuga e brando adstringente.
É usada na metrorragia, na leucorréias, nas afecções da bexiga na albuminuria sob a forma de cozimento feito com 100grs da raiz para 500 de coadura. Usada na dose de 3-14 cálices por dia.
A alcoolatura feita com 1 parte de raiz fresca para 2 de álcool a 40ºC, é empregada na dose de 8-10 gotas três vezes ao dia.
A resina mole e o ácido resinoso são sem aroma e sabor; a pelosina ou buxina cristalizada é o principio margo da planta; o ácido cissampelos tanino dá com os sais de ferro, coloração preta.
Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

domingo, 8 de abril de 2018

Bibiru é um antibiótico natural


Nectandra leucanta, Naes é uma bonita e elegante árvore, atingindo entre 20 e 30m de altur, com os ramusculos novos cobertos de um cotanilho pardo escuro e as folhas pininervais, lisas, coriáceas, opostas, ovais ou oblongas um tanto aguda com os bordos recurvados.

A casca que existe no comércio é nodosa. De sabor adstringente e amargo;
Os índios usam a casca em pó ou em cozimento para combater a febre intermitente, servindo também para tingir de amarelo seu artesanato.
A partir de 1832 a casca de Bibiru na matéria medica empregando-a como tônico em forma de vinho
O Dr Hugh Rodie fez análise da casca da planta e obteve substancias cristalizadas que denominou Bibirina e a empregou com bons resultados contra a febre intermitente no lugar do quinino, que no século XIX tinha preço elevado no comércio.
Dois anos depois o químico Douglas Maclaga, de Edimburgo, analisou as cascas de Bibiru e achou o mesmo principio ativo de Rodie, denominado de Beberina. Além deste alcaloide achou-se o ácido Sipirina ou ácido beberico.
Em 1870, Maclagan fez analise nas cascas de Bibiru e isolaram dois alcaloides, a bibirina e a nectandrina.
O sulfato de beberina entra na composição das afamadas Gotas de Warburg. Que é considerada um bom antifebril.
A madeira de cerne esverdeado tem varias aplicações na marcenaria e nas construções navais.
Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

domingo, 1 de abril de 2018

Canela sassafrás é antiartrítico natural


Ocotea odorífera, já foi chamada cientificamente de Mespilodaphne sassafrás, Meissn. Seu nome popular mais comum é Canela sassafrás, também conhecida como Canela funcho, Sassafrás, Louro sassafrás.

Era uma árvore muito comum na paisagem urbana do Rio de Janeiro no século XIX. Bonita sempre viçosa, verdejante, de ramos eretos, folhas coriáceas em tom verde escuro luzidia na face superior e verde claro na inferior.
Inflorescência em racimos, de flores hermafroditas, de cor branca e muito cheirosa. O fruto é uma baga um pouco carnosa, do tamanho de uma azeitona oval, de cor amarela avermelhada, lustrosa quando madura, imersa até o meio em uma cupola, dura, um tanto lenhosa e de cor verde escura,.
Toda a planta é aromática, sendo as folhas, em pequena proporção. É um excitante aromático e antiartritico.
As flores também são aromáticas e fornecem pela destilação um óleo essencial de cor esverdeada, de aroma particular lembrando a flor de laranjeira e jasmim, de sabor acre.
O óleo essencial das flores e das folhas poderiam servir com grandes vantagens na confecção de perfumarias e bem mereciam fazer parte da terapêutica brasileira por causa de suas propriedades medicinais apregoada pelo povo.
Normalmente é usada em fricções nas nevralgias e nas dores reumáticas; é tido como excelente inseticida.
O cozimento das raspas da madeira é considerado ótimo depurativo.
A casca da raiz é aromática e contem bastante óleo essencial; é usada em cozimento de 100 grs para um litro de coadura, na dose de alguns cálices por dia para combater o reumatismo.
Tanto as cascas da árvore como as da raiz são consideradas sudorificas e diuréticas.
A madeira é considerada de inferior qualidade e pouco usada na construção civil. Sua cor é amarela raiada de veios escuros, porosa.
Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).



domingo, 25 de março de 2018

A Jalapa do Mato é purgativa de uso antigo


Mirabilis Jalapa, L. é o nome científico de Maravilha, Jalapa comprida, Boa noite, Bonina, Purga de nabiça.
Mirabilis jalapa, L.
É uma planta de caule tetrágono nodoso articulado, forquilhoso-ramoso, delgado, peluginoso, com folhas opostas, ovais cortiformes, agudas e lisas, de inflorescência terminal, com as flores reunidas de 3 a 6, as vezes solitárias. As flores são de coloração variável ora vermelho vivo, amarelo claro, escuro ou branco, ou levemente rosado, inodoras.
O fruto é uma caryopse de forma elíptica, um tanto anguloso, preto, rugoso e engrossado na base.
Habita quase todos os estados do Brasil, principalmente Bahia, Espirito santo e Rio de Janeiro.
Sua raiz é espessa, fusiforme, carnuda e suculenta é usada como medicamento drástico brando e quando seca é conhecida na Europa como falsa Jalapa. Esta raiz contem uma resina mole purgativa usada entre 1 a 2 grs.
Nos estados do Norte usa-se o polvilho da raiz como laxativo para as crianças e segundo Manso é da raiz desta planta que se obtém o produto denominado Resina de Batata. Segundo Von Martius Resina de Batata se obtém de Operculina das Convulaceas.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

domingo, 18 de março de 2018

O afrodisíaco mais poderoso da Flora Brasileira.


Lophophytum mirabili, Schott e Endl, é planta parasita que vegeta sobre as raízes das árvores, em lugar sombrio e um tanto úmido, de preferencia sobre as raízes das
leguminosas. De seu rizoma hipógeo saem os espiques florais oblongos, cônicos, de 10-17 centímetros de altura sobre 4 a 8cm de grossura, cobertos quando novos de escamas pardacentas e depois de flores monoicas afila, assemelhando-se a uma longa espiga de milho privada da palha, tendo na parte inferior as flores femininas reunidas em capítulos globosos, de 4-6mm de diâmetro, de cor amarelo-clara, levemente pardacenta sobre o centro; o fruto e um cariopse.
Os rizomas tuberosos atingem desde o tamanho de uma laranja até o de uma melancia sendo este último mais raro. São de conformação irregular, em geral oblonga, arredondada, achatados de um lado, de cor parda e cobertos de numerosas excrescências verrugosas; a sua casca tem 4-5 cm de grossura.
A parte interna deste rizoma é carnosa, de cor pardacenta listada de vermelho; o seu sabor é desagradável, adstringente, o seu aroma é sui generis.
Habita quase todos os Estados do Brasil com especialidade os de bioma de Mata Atlântica.
Os índios consideram esta planta milagrosa e dizem que, quem como os capítulos florais, a parte inferior da haste sem ser visto por outra pessoa, é sempre querido das donzelas, e os que comem a parte superior da haste, são felizes na caça e tornam-se vitoriosos na guerra.
O cozimento da haste floral é considerado afrodisíaco; os curandeiros usam o cozimento da haste e da raiz tuberosa em banhos nas orquites.
A raiz tuberosa, seca e reduzida a pó, é usada na dose de 2-4 grs contra a epilepsia, para ser tomada na  lua minguante e a noite ao deitar, de 3 em 3 dias, duas vezes ao dia.
Na icterícia emprega-se o pó na dose de 50grs, três vezes ao dia.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

quinta-feira, 8 de março de 2018

O Jaborandi era usado como afrodisíaco no passado.

Jaborandi do Rio

Muitas são as plantas conhecidas pelo nome de Jaborandi. A maioria destes vegetais pertence a família das Piperaceas, outros a das Rutaceas e, segundo autores, também a das Scrophularias.
O Jaborandi do rio é um arbusco de 3-4 metros de altura de ramos verrugosos, grabras, membranáceas, coriáceas e pontuadas ou agudas, na base muito desiguais, arredondadas.  O arbusto é alto, mas o caule, ainda que grosso, as vezes é tão débil que se apoia sobre outros como se fosse um arbusto trepador, geniculado junto aos ramos que rebentam para o vértice, é roliço e glabro.
A raiz é muito usada em infusão de 45 grs em ½ l de água fervendo, como sudorifico, aos cálices, e como afrodisíaco; em tintura como estimulante na paralisia, internamente na dose de 8 a 20 gotas e externamente em fricção.
As folhas tem aroma devido ao óleo essencial de cor verde clara, de sabor ligeiramente picante, cujo aroma s assemelha um pouco \o da hortelã-pimenta, são empregadas em infusão como sudorificas e afrodisíacas; as raízes e bem assim as folhas são usadas em gargarejos contra as dores de dentes, empregando-se também para este fim os talos novos da planta e os amentilhos que são mascados na ocasião.
O principio ativo conhecido da planta no século XIX era a piperina. Seu produto é o aroma muito usado na perfumaria.
Não existia o estudo fisiológico do extrato da piperiona. Entre 10 e 20 grãos produzia uma sensação de ardor na faringe, no estomago e no reto, bem como vermelhidão nos olhos em torno do nariz e lábios. Era usada em frebre intermitente de efeito mais brando.
Das folhas de Jaborandi se extraia um alcaloide que denominaram Arthantina.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

quinta-feira, 1 de março de 2018

Carapiá, um rizoma santo remédio que liga ossos


Dorstenia brasiliensis, Lam ; Dorstenia fícus, Velloso, Dorstenia cyperus, Velloso. Sinomia vulgar: Trapiá da mata, Lila-liga, liga osso, Serpentária do Brasil, Caapiá, Contra erva, Cayaapiá, Capa homem, Capiá, Contra erva de folha comprida.
Dorstenia brasiliensis, Lam.
O caule é muito curto, rasteiro, e muitas vezes conserva-se em baixo do solo, a semelhança de um rizoma; é um pouco carnoso, estipulado, tendo as folhas longamente pecioladas, de diversas conformações, cortados ovais, oblongas, obtusas, crenuladas de cor verde escura, luzidias na face superior e de cor mais pálida na inferior e muito ásperas.
A inflorescência num receptáculo carnoso em forma de A, elíptico; as raízes são muito finas e partem de um caule subterrâneo, escamoso.
Esta planta é a mais comum no gênero encontrada em toda a Mata Atlantica.
O caule de Carapíá é empregado vulgarmente em uma infinidade de moléstias, tais como na atonia do canal digestivo, nas afecções gangrenosas, nas febres tifoides, na clorose, nas diarreias crônicas, nas disenterias, nas febres intermitentes e como emenagoga. Em doses elevadas é vomitiva.
Os sertanejos apregoam este vegetal como o melhor antidoto de veneno das cobras; rizoma bem contuso com água é dado para beber ao mordido, aplicando o bagaço do rizoma sobre a ferida.
Os índios usam este vegetal para curativo das feridas produzidas pelas flechas envenenadas. Os índios estão tão seguros das virtudes medicamentosas deste vegetal que dizem ser infalível.
A infusão preparada com 10 partes dos rizomas contusos para 100ml de água fervente, é usada diariamente em xícaras, principalmente para combater as febres. Externamente é empregada em banhos nas orquites; o pó do rizoma é aconselhado como tônico e antifebril na dose de 0,50 a 4grs por dia.
A tintura é feita com 1 parte do caule para 5 de álcool, é usado na fricções no reumatismo.
A infusão de 30grs do caule para 240ml de água fervendo é usada na dose de um cálice de hora em hora contra a supressão da mestruação.
A raiz fresca contusa com azeite até formar uma pasta homogênea é empregada pelo povo como um emplastro para acelerar a consolidação dos ossos nas fraturas. Por isso o nome de liga-liga ou liga-ossos.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).