domingo, 26 de fevereiro de 2017

A Ipecacuanha e Poaya são a mesma planta de muitos nomes.

O uso desta planta vem dos índios. Segundo o monge Tristan, quando se trata desta planta a denominada de Pigaya ou Ipecaya, era empregada pelos Incas não só como expectorante mas também como vaso constritor no caso de hemorroida.
Sanit-Hilaire nos informa que somente em 1800, graças ao Dr. Antonio Bernardino Gomes, que levou para a Europa exemplares completos deste vegetal foi possível se fazer sua classificação botânica, apesar de ser explorada comercialmente sem ser conhecida cientificamente.
Foi com os exemplares do Dr. Bernardino Gomes de Brotero que foi  possível descrever a planta nas Actas da Sociedade Linneana de Londres com o nome de Callicocca Ipecacuanha; porem M Richard verificou a prioridade de Cephalis para o gênero a que pertence a Ipecacuanha; porem antes deste já havia o de Tapogomea criado por Aublet, no entanto o gênero criado por Swartz foi o consagrado pelas obras mais importantes.
O nome Ipecacuanha foi introduzido na Europa pelo livro de Marcgraff e Piso, ele é desconhecido em todas as partes do Brasil que percorreu Saint-Hilaire. ”Apenas em Goiás ouvi alguns habitantes do distrito falarem este nome. É com o nome de Poaia que geralmente se conhece a Cephalis ipecacuanha no Brasil”.
Ipecacuanha, ainda que não tenha até este momento uma etimologia exata, vem das palavras indígenas ipe: casca, caa; planta; cua; perfumosa, nha: estriada (casca de planta perfumada e estriada).
Poaya, entretanto, vem de ycipó; liana e ayacá; cesto (liana para fazer cesto), nome dado primeiro a uma espécie trepadora cuja raiz é emética.
Alberto Löfgren diz “o nome de Poaia não deve ser confundido com o de Ipecacuanha, apesar de serem ambos do tupi e erradamente usadas sem distinção. Poaia é uma contração de cepo-ayba (Martius) ou antes, cipó-aiva que quer dizer “raiz contra males”. Ipecacuanha é uma contração de Ipe-coa-goene (Martius) que significa “pequena erva das estradas” ou segundo o Dr Jorge Maia: çapo-kaakuêne que traduz por erva de raiz vomitiva.

Paya, Ipecacuanha anelada, Ipecacuanha preta, Specacuanha, Hypoucanna, Beguquella, Cagosanga, Beloculo, Beculo, Cipó de Cameras, Mina de ouro, Cipó emético, Poaia do mato, Poaya de botica, todas são Cephaelis ipecacuanha.

Bibliografia: Cruz, Jayme P. Gomes Ipecacuanha – Revista da Flora Medicinal 1934.

Para saber mais sobre as Poaias:
http://qnint.sbq.org.br/qni/popup_visualizarMolecula.php?id=ZwU-dxySC7-fUZZ5YhKDqyhVam2tdOzj1t5q5ltViJkaO4qYYr3xYYwiRU06he0HgVRQJDYietsxcTVKWKJhAA==


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Jurubeba, desobstruente poderoso, diurético e tônico.

Com a denominação de Jurubeba, são conhecidas pelo menos quatro espécies vegetais, de aspecto e propriedades medicinais muito semelhantes, todas pertencentes família das Solanácias. Estas espécies são: Solanum insidiosum, Mart; Solanum paniculatum, L; Solanum juripeba, Rich e Solanum fatigiatum, Willd.
Jurubeba, flor e fruto
O povo, não distingue bem as diferentes espécies do vegetal, denomina todas indiferentemente , conforme a região do pais, Jurubeba, Jurumbeba, Juribeba, Juripeba, Jubeba, Jumbeba, Juveva, Juuna e ainda pelo nome indígena de Joa-tica.
As diferentes espécies de Jurubeba tem pátria o Brasil e se desenvolvem em todos os estados tropicais em abundância.
Gustavo Peckolt em 1886 publicou um estudo farmacognóstico do S. insidiosum, onde a parte química foi amplamente estudada, encontrando este ilustre pesquisador a seguinte composição química em suas folhas e raiz: jurubebina, solanina. Nenhuma parte deste vegetal contem tanino
Na Farmacopeia Brasileira é planta oficinal com as seguintes preparações: extrato de Jurubeba, extrato fluido de Jurubeba e tintura de Jurubeba.
A Jurubeba já era planta usada pelo índio quando da descoberta do Brasil. No entanto o primeiro registro de sua utilização pelo povo da terra é feita pelos naturalistas holandeses Piso e Marcggravi em seu livro Historiae Rerum Naturalium Brasiliae, publicado em 1648.
O Dr Almeida Pinto, no século XIX recomendava Jurubeba contra as anemias, a clorose, febre intermitente, hidropsias, obstrução do fígado e baço, emenago e para combater o catarro da bexiga.
Externamente, o cozimento de suas folhas frescas é compressa para apressar a cicatrização de ferimentos e úlceras. Também empregam suas raízes nas moléstias do útero, na clorose, desobstruente poderoso, diurético e tônico.

Bibliografia: Revista brasileira de Farmácia – dezembro 1940 – Costa, Oswaldo de Almeida, farmacêutico professor da Faculdade Nacional de Farmácia da Universidade do Brasil.


sábado, 11 de fevereiro de 2017

A história do cultivo da Noz de Kola na Bahia

O Brasil conhece a Noz de Kola desde os tempos coloniais quando os africanos trouxeram as primeiras sementes. Foram os escravos os principais divulgadores das virtudes desta planta no mercado popular.
Na última década do século XIX na Europa a planta se tornou moda e a propaganda de suas virtudes estimulante se tornou lançamento em vários mercados de preparados variados. Os botânicos não se cansavam de fazer monografias de sua espécie.  Na América do Sul começou a importação dos preparados de Kola. Na literatura brasileira esta planta não foi apontada como cultivada em nossas matas e pomares.
Noz de Kola
Em 1921 na Bahia entrava no serviço do estado, muito divulgado pelo Coronel Manoel Duarte Oliveira, naquele tempo secretário da Fazenda do Estado da Bahia, as nozes de obi e orobô.  Um velho escravo lhe aconselhou o uso constante das sementes. Para ele, esta era a razão da sua saúde e vitalidade. Por causa de suas boas virtudes o coronel resolveu importar da África as sementes da tal árvore.
Para saber se havia algumas árvores desta espécie no Brasil conversamos com o Dr Pirajá da Silva, medico naturalista na Bahia. O médico informou que havia vários pés nas praças públicas, nos quintais por todo estado e que no tempo da guerra entre 1914-1918 um fazendeiro comprou no leilão na alfandega, entre outras mercadorias não retiradas pelos destinatários, umas sementes que ninguém conhecia e que ele Pirajá suspeitava ser nozes de kola  e por isso recomendou plantar. Foram plantados vários pés em Camamú, as amêndoas usadas, não definiam exatamente a espécie da planta.
Em 1922 o Dr Gregorio Bondar, chefe do Departamento Técnico Agrícola do Instituto do Cacao da Bahia, e diretora geral da Estação Geral de Experimentação de Água Preta resolveu examinar os pés de Noz de Kola da capital baiana. Através de exames verificou-se que estas árvores eram realmente pertencente a família das Sterculiaceas, a espécie Sterculea faetida, sem valor algum econômico.
No mês de novembro daquele mesmo ano os experimentadores foram para o município da Camamú na fazenda de João José de Oliveira.
Segundo o senhor Oliveira as sementes foram importadas por ele em 1914, quando importou, de uma possessão inglesa na África, 500 nozes da planta, vulgarmente conhecidas pelos africanos como obi ou abajá.
Algumas das nozes tornaram-se árvores produtivas depois de cinco anos. Cerca de 30 kg no primeiro ano e foram presenteadas ao Instituto Pasteur da Bahia, que dela tirou extratos e fez exames de seus princípios ativos.
Tendo em vista o sucesso das sementes Oliveira vendeu 300 kg ao mesmo instituto em 1921 e resolveu com o dinheiro importar vinte mil nozes para que fossem cultivadas em sua fazenda.
Nos pés existentes na fazendo pode-se distinguir duas espécies de plantas.
A plantação tem 38 pés de kola; deles o maior tem 6 metros de altura, com o diâmetro do tronco de 12cm. O resto é raquítico, e atinge no máximo um metro e meio a dois metros. A formiga saúva é a grande inimiga do desenvolvimento desta planta na fazenda.
A noz de kola é apreciada pelos seus princípios estimulantes; cafeína e teobromina.
A planta requer terreno argiloso, rico em húmus para se desenvolver.

Bibliografia: Bondar, Gregorio – Revista da Flora Medicinal – 1937 pág de 123 a 145.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O Jacarandá como medicamento milagroso

A Caroba, Jacarandá tomentosa, R; Brown; Bignoniaceas é também vulgarmente conhecida no Brasil como: carobinha, Caroba pequena, Caroba do mato, Caroba rosa ou preta ou Caroba do mato.
É planta encontrada nas praias e colinas por toda a Mata Atlântica. É uma árvore elevada . Com folhas imparibinadas.
Jacaranda tomentosa
A Carobina e o Ácido carobico são seus princípios ativos, extraído da casca.
A Caroba é um dos vegetais mais úteis da nossa flora. Suas folhas são empregadas com grande vantagem como antissifilíticas, na blenorragia crônica e nas afecções venéreas, cutâneas e reumáticas, cancros, bubões, ulceras, feridas, psoriasis, dores articulares, dores de cabeça, nevralgias, catarro crônico da uretra.
Modo de preparo:
Internamente infuso 50 a 100grs em 1 litro de água, para tomar uma colher de sobremesa três vezes ao dia. Extrato fluído das folhas, de 1 a 4 grs, três vezes ao dia. Tintura, de 5 a 20grs. Extrato aquoso, mole de 20 a 80 centigramas, três vezes ao dia. Xarope, 20 a 80 gramas.
A Caroba pode ser empregada nas afecções da pela e feridas.
A matéria extrativa balsâmica ou Balsamo de Caroba é usado como tônico, depurativo e ante escrófula.
O pó das folhas para pulverizar as ulceras.
O decocto, 100grs para 1 litro de água, em lavagens, cataplasmas;.

Bibliografia: Rodolfo Albino Dias da Silva; A Caroba, Revista da Flora Medicinal, 1947.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

As histórias das salsaparrilhas

A planta outro designada como Smilax laevis minor, e que Plínio, entretanto chamava de Convulvulus, não é outro se não com Convulvulus arvensis. A ipomaea bona-nox , Linne era chamada do Bauhin; Smilax áspera indiae ocidentalis a ulvularia amplexifólia trazia o nome de smilax perfoliata, ramosa, flore albo.
Smilax aspera
A única Smilax da Europa é a Smila áspera e suas variedades, que crescem nas regiões mediterrâneas da França, Espanha, Itália e Grécia. Crescem ao longo de sebes, moitas e velhas ruinas. A África também é muito pobre, ai achamos a smilax mauritania Poir. As outras espécies e variedades enumeradas por Kunth, em número de 190, estão dispersas em diversos países dos dois hemisférios, onde habitam as regiões temperadas e tropicais. Encontram-se nas Américas, nas Antilhas, na China e no Japão, Crescem em terrenos baixos e pantanosos, nas florestas e sobre as montanhas variando de 100 a 9 mil pés.
Algumas tentativas de exportação, de smilax de um país foram feitas com sucesso.
Na Inglaterra, cultivam-se algumas espécies empregadas em medicina, onde dão bons produtos, quer as das montanhas quer as dos pântanos.
O uso das smilax, na arte de curar, remonta a uma época muito recuada. Os asiáticos a empregavam no tratamento de uma doença que se supunha ser a sífilis.
Foi importada pela primeira vez para a Europa, por volta de 1525, por um português, Vicente Gillen de Tristão, sob o nome de “squine” (smilax china), e fez maravilhas; Carlos V, diz-se, usava-a sem os seus médicos saberem e curou-se de numerosas enfermidades (gota, varíola, etc). Graças a estes sucessos, a “squine” usurpa o lugar do guaiaco, o qual, importado mais ou menos em 1508, conquistou no espaço de alguns anos, a reputação de curar as doenças mais rebeldes (gota, sífilis, reumatismo). Admite-se geralmente que a “squine” chegou a Europa procedente da China e do Japão; Nicolau Massa pretende, sem razão, que a sua procedência é uma ilha da América, chamada China. Pela mesma época, algumas espécies, empregadas nas Antilhas pelos naturais da região, antes da conquista feita pelos espanhóis, foram igualmente importadas por estes conquistadores, que as levaram para a Europa, sob o nome de zarzaparilla (de zarza, espinheiro, parilla, pequena videira), o nome este dado a smilax áspera que cresce na Europa, Jeronimo Coardan, de Milão em 1553 afirmava ter sido o primeiro a usá-la, tendo obtido resultados maravilhosos. Entretanto, em 1539, Rodrigo Ruiz Dias, em seu Tratado de todos os santos, fala da salsaparrilha como adjuvante no tratamento da sífilis pelo mercúrio ( mal serpentário, originário da Ilha espanhola onde é conhecido pelo nome de buayuaras, hipas, tainas e lias); se der crédito a Dupau os espanhóis só trouxeram esta planta a Europa em 1563.
Até pouco tempo olhava-se a raiz como única parte da planta usada na medicina. No entanto, a maior parte das espécies comerciais são fornecidas pelas raízes de diversas espécies de smilax.

Bibliografia: Edmond  Vandercolme – Tese de doutorado de medicina apresentado em 21 de julho de 1870 à faculdade de Medicina de Paris. Revista da Flora Medicinal – 1937.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Pau Pereira é o principal medicamento contra febre.

O Pau pereira, Geissospermum vellosii, Freire Alemão, classificado pela primeira vez por Veloso, abunda nas florestas de norte a sul do país. Era conhecido dos indígenas, que dele usavam em diferentes moléstias, sobretudo nas febres. Conforme o estado era o nome da mesma planta, Pau pereira, pau forquilha, Pau tenente, Ubá-assú, Canudo amargoso, Pignaciba, Chapéu do sol, Camará do mato; Camará de bilro.
O primeiro farmacêutico a estudar esta planta foi Dr.Ezequiel Correa dos Santos em 1838, descobriu o principio ativo extraído da casca da árvore, que chamou de pereirinha. Todos os sais de pereirinha são amarelos, solúveis, e conservam o sabor amargoso da base.
Uma curiosidade sobre a planta, é que no antigo Rio de Janeiro era bastante comum, nos botequins da cidade, adicionar cascas de Pau Pereira às garrafas de cachaça, ou até mesmo fazer as próprias garrafas da madeira da árvore. Os boêmios da época acreditavam que se consumissem a bebida junto à madeira da árvore teriam mais apetite sexual, pois esta possuía substâncias revigorantes.
O chá riquíssimo em substâncias que ajudam no tratamento de males como a malária, problemas de intestino, febres, tonturas, má digestão e inapetência.


Bibliografia: Revista da Flora Medicinal  - 1940 – Ezerquiel Correa dos Santos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Cipó Carijó e remédio para as flebites

Davilla rugosa Poirier, Ditleniacea sinomia vulgar: Cipó carijó, Sambaibinha, Folha de lixa, Capa homem, Cipó de caboclo.
O nome de cipó caboclo vem certamente do emprego que os nossos moradores do interior fazem de tal planta, bem como o de cipó de carijó, por ter sido empregada pelos índios carijós que foram os descobridores de suas virtudes e ensinaram aos portugueses o seu uso apanhar peixes, e iba, arvore, seguidas do diminutivo.
Davilla rugosa Poirier
O termo sambaibinha, ou como escreve Saint Hilaire Cambaibinha, vem de caa mbaya, ramos ou cipós próprios para se tecerem nassas (armadilhas ou cestas para apanhar peixes), e iba, arvore seguidas do diminutivo inha, para distingui-la da árvore cognominada Cambaiba.
É planta muito comum em todos os estados do país principalmente Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina, Bahia, Pernambuco até o Rio Amazonas. Fora do Brasil cresce também no Chile, Guianas e Suriname.
A parte geralmente empregada como medicamento é a folha. Seca a folha é inodora e de sabor adstringente e um tanto amargo.
Esta planta possui ação analgésica local e vasoconstrictora; dá excelente resultado no tratamento da orchite, da epidermite, das hemorroidas e de outras flebites e varizes. Aconselha-se seu emprego sempre há estase sanguínea com dores e inflamação. Dá resultado superior aos da beladona, hamamelis, pomadas mercuriais.
É usada geralmente sob a forma de extrato aquoso mole, associado a lanolina em pomada a 50% aplicada duas vezes ao dia.
Internamente é empregada sob a forma de extrato fluido ou de pílulas feitas com 0,25grs. do extrato mole (1 de 2 em 2 horas)

Bibliografia: Revista da Flora Medicinal – Rodolfo Albino Dias da Silva - 1925